quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026


 Por que o vaporwave me deixa nostálgico?


O vaporwave é um gênero musical e estético que surgiu na internet no início da década de 2010. Ele desacelera músicas antigas, principalmente dos anos 80 e 90, mistura sons de comerciais, jazz suave, músicas de elevador e sintetizadores, criando uma atmosfera artificialmente nostálgica. Visualmente, aparecem computadores antigos, shoppings vazios, luzes neon, estátuas clássicas e paisagens digitais que parecem pertencer a um futuro imaginado por outra época.

O que me entristece no vaporwave não é apenas a lentidão das músicas, mas a sensação de estar olhando para um sonho que ficou para trás. Eu sinto como se estivesse visitando um futuro que alguém acreditou que existiria, um mundo limpo, confortável, tecnológico, silenciosamente feliz. Só que esse futuro nunca chegou, ou chegou de forma diferente, mais cansada, menos luminosa.

Existe uma nostalgia estranha, porque muitas vezes sinto saudade de coisas que não vivi diretamente. É como lembrar de comerciais antigos, telas grossas de computador, interfaces simples, salas de espera, corredores de shopping quase vazios, tudo envolto por uma promessa de que o amanhã seria melhor. Hoje, quando ouço vaporwave, sinto que aquela promessa envelheceu antes de se cumprir.

Também há uma solidão muito profunda. As músicas parecem ecoar dentro de um espaço grande demais, como se eu estivesse andando sozinho por um prédio vazio à noite ou por um shopping depois do fechamento. Não é uma tristeza explosiva, é uma melancolia silenciosa, quase anestesiada, como aceitar uma perda sem saber exatamente quando ela aconteceu.

O vaporwave mistura passado e futuro de um jeito que me deixa deslocado. Parece um amanhã visto a partir de ontem, um futurismo imaginado por pessoas que não podiam prever o que realmente viria. Quando escuto, sinto como se estivesse preso entre duas épocas, sem pertencer completamente a nenhuma delas.

Talvez seja por isso que fico triste. Porque percebo que não são apenas pessoas que envelhecem, mas também os sonhos coletivos, as expectativas de progresso e as versões de mundo que nunca chegaram a existir. O vaporwave soa como a lembrança de algo que morreu antes de ter a chance de viver de verdade.

Às vezes tenho a sensação de que estou caminhando por um lugar onde tudo permanece intacto, mas ninguém mais está ali. Como se as luzes continuassem acesas apenas por hábito, como se a música estivesse tocando para um público que desapareceu há muito tempo. E eu fico ali, ouvindo, como se tivesse chegado tarde demais a um futuro que já acabou.


Essa música abaixo é de minha autoria, quando eu usava o codinome Merman.

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