O dia em que vi o My Chemical Romance ao vivo
Eu conheci a banda em meados de 2005 ou 2006 e, desde então, me mantive acompanhando. Com o álbum Danger Days: The True Lives of the Fabulous Killjoys, confesso que desanimei um pouco na época do lançamento, quando houve a transição do sombrio e visceral My Chemical Romance para algo mais colorido. Mas, claro, estou falando de um álbum lançado em 2010, eu era outra pessoa em 2010. Eu não quis nem tentar ao menos entender a proposta do álbum, apesar de ter ouvido e gostado de algumas músicas. Hoje, alguns anos depois, eu compreendo a proposta do álbum e acho incrível, mas The Black Parade sempre será meu favorito.
Mas, com a vida que eu tinha e sendo um adolescente, eu nunca sequer sonhei em um dia ver ao vivo o show da banda, assim como o de outras que gosto. Era algo tão distante que eu nem me atrevia a sonhar. Eu me alimentava apenas das músicas, clipes e, às vezes, de alguns shows que eu encontrava no YouTube com uma qualidade tão precária, mas era o que tinha.
Em 2024, quando a banda deu indícios de um retorno, eu já fiquei bastante feliz. Como um ano antes eu tinha começado a vivenciar a experiência de ir a shows (o que provavelmente comentarei em outro momento), então seria real eu conseguir ir caso, em algum momento, eles anunciassem uma turnê. E em 2025 a turnê nos EUA aconteceu, e novamente me alimentei de vídeos gravados por fãs e pensei que seria só aquilo. Mas foi um retorno triunfal.
Ainda em 2025 veio a notícia que eu queria, mas para a qual não estava pronto: o anúncio do show no Brasil. Foi tudo muito rápido, então consegui o ingresso com muita ansiedade. Depois descobri que teria outro show e, felizmente, também consegui. Então eu iria a dois shows seguidos.
E, chegando o dia do show, pulando as partes de viagem aérea e tudo mais, que, para quem já me conhece, sabe que detesto e precisei fazer terapia para superar (o que deixarei para explicar também em outro momento), foi surreal o que vivi ali. Fui sozinho dessa vez. Completamente sozinho. Não só ao show, mas também a São Paulo. Eu me senti totalmente em casa, com os meus.
Às 5h da manhã eu já estava na fila. Enfrentei sol, pancadas de chuva, cansaço, mas, ao entrar no estádio e ver a banda que nem em sonho eu poderia imaginar ver ali, eu me senti totalmente em êxtase, fora da realidade, quase como uma conexão espiritual com aquilo. Mesmo não tendo crença, acho que isso é o que mais se aproxima do que eu realmente senti ou queira transmitir.
O show foi intenso. Eu gritei, cantei aos berros as músicas que amo de verdade e também chorei muito com as mais tristes, como Cancer, que é, sem dúvidas, uma das músicas mais tristes da banda e talvez a mais triste de forma geral considerando outras que admiro.
Eu considero um dos dias mais felizes da minha vida, em que vivi intensamente e me entreguei totalmente àquele momento. O dia seguinte também foi incrível e mais confortável, já que fiquei no camarote. Mas nada vai superar aquele primeiro dia. Nada vai superar ter visto o Gerard Way na minha frente. Mesmo que ele nem saiba que eu existo, eu caminhei com ele durante a adolescência em The Black Parade, e isso foi extremamente marcante na minha vida. Eu cresci fazendo parte daquela marcha fúnebre.
Eu adoro diversas outras bandas e cantores(as), mas My Chemical Romance sempre terá um lugar mais do que especial na minha vida.
Esse texto não é nem 1% do que eu senti e vivi naqueles dias 5 e 6 de fevereiro de 2026.
Por mais que o tempo passe e eu já não seja mais um adolescente, sempre estarei junto dos excluídos, bizarros e esquecidos em The Black Parade. Obrigado, My Chemical Romance, e principalmente ao Gerard Way.

Muito bom ler o seu relato! Dá uma satisfação de ver que o sonho daquele adolescente foi realizado. Parabéns pela conquista! 👏🏽 Esse tipo de experiência é muito importante na nossa vida.
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